2003
Introdução

Crítica
Pedro Moura

Edição
João Miguel Tavares

Autores
Paulo Patrício

Festivais
João Miguel Lameiras

Investigação
Adalberto barreto

Movimentos
Geraldes Lino

 

 


2000, 2001, 2002, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009

 


 
 
 
 

 
 
 

Marcos Farrajota | ilustração: José da Fonseca

Foi o ano de ruptura total das características verificadas noutros anos: os fanzines com periodicidade perderam-na (excepto o novo Espiral), relações com a Multimédia não foram mais exploradas e não houve quase nenhuma internacionalização (com a excepção da grande participação no zine suíço Milk & Wodka #IIII).

O cenário de pobreza e falta de energia só se explica com a ausência de uma nova geração de autores que a bd (no geral) nos últimos 3 anos não tem conseguido parir. Se olharmos para os autores de zines que foram envolvidos em projectos profissionais só temos o José da Fonseca a ser publicado no Lx Comics #14, e mesmo assim, é da geração d’A vaca que veio do espaço, um colectivo dos anos 80!

Haverá só uma crise geracional? Também, e uma económica que deve explicar a ausência de mais zines. Mesmo para um tipo de produção barata como a dos zines exige algum tempo e dedicação. Nestes tempos stressados que vivemos percebe-se que há pouco “tempo-é-dinheiro” para os zines.

Ainda assim continuaram: Durty Kat (da Ana Ribeiro), Terminal (com 4 números de uma só vez), Saboniz (dedicado a ilustração e design por Nuno Valério), o velho Shock (com o Tornado do Estrompa a comemorar 10 anos), Carneiro Mal Morto, Porca Frita e Notibó (ambos das Caldas da Rainha), o eterno extravagante Succedâneo (de João Bragança), Zundap (zine de cultura Pop e com morte anunciada para 2004), Sub (de Pitchu!) e O Papel do Monstro (de estudantes da FBAUL). E dos que continuaram o que teve mais impacto foi o Ups! (da Guarda) que foi acompanhado por uma exposição e que recrutou ainda os talentos de Rafael Gouveia, Filipe Abranches e André Lemos.

Novos títulos: O/velha Negra (da Madeira), Espiral (de Noé Touraldo), A Carne (de Ana Ribeiro e Miguel Tavares) e Jungle Juice (de Rute Santiago e Pitchu!). Não houve o Na verdade tenho 60 anos mas Joana Figueiredo editou os novos mini-zines Menina Jesusa e Chicken Bloody Rice, ambos de ilustração e o último com restos (falsos) de arroz de cabidela que ainda assim fez um cromo da bd vomitar!

Feiras pelo país inteiro: Caldas da Rainha, S.Romão, Cacilhas (devia ser o ano da Feira de Fanzines de Almada mas tal não aconteceu infelizmente), Cascais, Lisboa (Salão Lisboa, Estufa Fria, ZDB Tercenas), a maior parte delas organizadas pelo colectivo Crime Creme ou pela Associação Chili Com Carne. Houve uma exposição de fanzines em Viseu intitulada Cidade Desconhecida e ainda participação de alguns títulos em eventos como o Mercado Negro (Porto) e Mundo Mix (Lisboa). A maior feira dedicada às edições alternativas foi Fantasias de Natal (no Cais do Sodré), organizada por um grupo entre os quais incluía o zine Succedâneo e Associação Chili Com Carne.

Foi também um ano parado em edições independentes. Começou bem, logo em Janeiro com “A última grande sala de cinema” de David Soares mas ficou por aí! Ainda houve dois novos números do prozine Satélite internacional do colectivo Alíngua e o novo prozine CanibalCriCa Ilustrada (Mesinha de Cabeceira disfarçado!) da Associação Chili Com Carne.

Frente a esta miséria medieval, o que dá para concluir é que os projectos que mais se destacaram em 2003 foram os que resultaram de esforços conjuntos – de colectivos. Num ano em que no Salão Lisboa esteve presente o associação eslovena Stripcore – que levou a desconhecida bd eslovena à internacionalização, num país com menos condições do que o nosso! – não se pode dizer não há bons exemplos para conhecer e copiar. Não é à toa que destaco “Puro Capricho”, uma estranha brochura do colectivo In Útil que saiu durante uma exposição de artes plásticas na Galeria Parthenon. Trata-se de uma fotonovela realizada e produzida pelo colectivo e paginada por Miguel Rocha. A atmosfera da fotonovela lembra ingenuamente as bd’s de M.A. Martin pelo “gore” cirúrgico e é o caso mais feliz em volta da bd e edição independente para 2003. O irónico disto é que este trabalho cheio de frescura resulta de esforços conjuntos de pessoas à margem da bd e da edição - se excepturamos o Miguel Rocha que era um convidado do colectivo. A união faz a força? Sem dúvida...

 
     
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