| |
João Miguel Lameiras | ilustração: José da Fonseca
Num ano em que o Salão do Porto faltou à chamada e o Salão Lisboa confirmou as evidentes dificuldades em atrair o grande público, a maior novidade foi o BD Forum, um certame marcadamente comercial, de duração mais limitada, à imagem das “Comics Conventions” americanas.
Ao contrário do que acontece na maioria dos países, onde os Festivais de BD costumam ter uma duração média de 3 a 4 dias (apanhando um fim de semana), em Portugal a regra dominante consistia nos 15 dias a 3 semanas, com a animação concentrada no fins de semana, deixando os dias da semana por conta das excursões das escolas. Por isso, a opção por iniciativas de menor duração (limitadas a 3 dias, como é norma por todo o lado, de Angoulême a San Diego) e mais viradas para a parte comercial, foi a principal novidade de 2003.
E, ao contrário do que é habitual, a época forte dos Festivais este ano transferiu-se de Outubro para Maio, pois foi nesse período que decorreram o BD Fórum (de 1 a 4 de Maio, no Fórum Picoas, o Salão de Banda Desenhada da Exponor (de 15 a 18 de Maio, em Matosinhos) e o Salão Lisboa, que ocupou o Pavilhão de Portugal no Parque das Nações, durante mais de um mês, entre 15 de Maio e 22 de Junho.
Contando com a presenção de Neil Gaiman como grande foco de atracção, O BD Fórum foi suficientemente bem sucedido para que a Devir, Vitamina BD e Sodilivros tenham decidido continuar com a aposta em 2004. Do mesmo modo, também a Publimeeting e as Edições Asa vão apostar numa 2ª edição do Salão da Exponor, iniciativa que apostou numa fórmula intermédia (3 dias de duração, mas com exposições) que poderá tentar ocupar o espaço deixado vago pelo Salão Internacional de BD do Porto, como a presença de Pedro Cleto (da ASIBDP) na organização da edição de 2004 parece querer indiciar.
Quanto ao Salão Lisboa, a qualidade das exposições, com destaque para os magníficos originais de Diniz Connefrey e Miguel Rocha, não teve o devido reconhecimento por parte do público, talvez afastado pela escolha da Alemanha (um país praticamente desconhecido do grande público em termos de BD) como país convidado, tanto mais que Ralf Konig, o autor alemão de maior projecção internacional, acabou por não vir a Lisboa.
Em relação ao Festival da Amadora, esta 14ª edição foi marcada pela ausência de uma série de autores anunciados, não compensadas pelas presenças surpresa dos argentinos Carlos Trillo e Eduardo Risso. Em termos de exposições, uma evidente melhor gestão cenográfica do espaço ingrato da Escola Intercultural, não escondeu a falta de critério da exposição principal, dedicada às “Mulheres na BD”. De qualquer modo, nem o público nem os editores faltaram ao encontro e, para o ano, com o Festival a atingir a sua 15ª edição, é natural que o Festival aposte mais forte em termos de autores e exposições.
Mas, para 2004, a grande dúvida será ver como evoluem o BD Fórum e o Salão de BD daExponor e até que ponto essa evolução irá ou não influenciar os Festivais da “velha guarda”.
|