2005
Introdução

Crítica
Pedro Moura

Edição
Sara Figueiredo Costa

Autores
Daniel Maia

Fanzines
Marcos Farrajota

Investigação
Adalberto Barreto

Movimentos
Geraldes Lino

 

 


2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2006, 2007, 2008, 2009

 


 
 
 
 

 
 
 

João Miguel Lameiras | ilustração: Pedro Zamith

Depois de um ano de 2004 marcado pela crise, também ao nível dos Festivais de BD, 2005 deu sinais de uma outra dinâmica, mas que não deixa de ser assombrada pelos preocupantes sintomas de que certas fórmulas caminham para o esgotamento. Felizmente chegam sinais de renovação do Alentejo, onde a primeira edição do Festival de BD de Beja revelou potencialidades que se esperam ver confirmadas.
A nível dos Festivais de dimensão internacional, este foi um ano em cheio (pelo menos em quantidade), em que além do Festival da Amadora e do Salão Lisboa, voltámos a ter o Salão do Porto, num regresso infelizmente apenas em formato virtual.
Começando pelo Festival da Amadora, foram nítidas as melhorias (cenográficas e de programação) em relação à edição anterior. Mais adaptado ao espaço da Estação de Metro da Amadora, o Festival comemorou os 100 anos do Little Nemo de Winsor Mckay com uma exposição que cometia a proeza de juntar no mesmo espaço três originais de Winsor Mckay (e uma belíssima “falsificação” de Bruno Marchand), a originais de Hergé (incluindo uma raríssima prancha feita a 4 mãos com Jacobs), Moebius, Frank Pê, Hermann e Milton Caniff, entre outros. Também em termos de autores presentes, estivemos bem longe da pobreza franciscana da edição anterior, com um cartaz bastante bem preenchido, onde não faltavam autores como Vitorio Giardino, Rick Veitch, Al Davidson, Cameron Stewart, Alekzandar Zograf, Ed Brubaker, Max, Sean Philips, Jim Woodring, Leandro Fernandez, Garry Spencer Milidge, Jean-Pierre Gibrat, Bruno Marchand, Stassen e François Boucq.
Mas estas melhorias (visíveis também a nível da organização do espaço, bem menos labiríntico do que no ano anterior, mas mesmo assim escondendo cuidadosamente a zona comercial, não fosse os visitante darem com ela…) não escondem a desadequação do espaço das galerias do Metro para receber os visitantes do Festival (já estive em saunas mais frescas…) e a preocupante sensação, transmitida pelas sessões de autógrafos, em que o público era exactamente o mesmo que em anos anteriores, de que o Festival da Amadora não está a conseguir criar novos públicos, apesar da facilidade de acesso que o Metro proporciona.
Já em relação ao Salão Lisboa, que prosseguiu com a sua itinerância pela cidade, manteve-se uma preocupante incapacidade de atrair visitantes, talvez pouco motivados para descobrir os talentos escondidos da Banda Desenhada finlandesa, ou ainda menos dispostos a pagar o bilhete de entrada no magnífico espaço da Estufa Fria para verem a exposição, encenada com a sobriedade habitual de Pedro Cabrita, mas que nem sempre aproveitava devidamente as potencialidades cenográficas de cada trabalho.
Mesmo uma excelente ideia, como foi a de distribuir o Catálogo do Salão com o jornal Público não parece ter atraído grandes visitantes e foi até deprimente ver que no encontro de Emanuel Guibert com o público, esse mesmo público se resumia a dois jornalistas (um deles, por acaso, do jornal Público…). Restou a oportunidade de descobrir o trabalho do colectivo Le Dernier Cri e, principalmente, ver em Portugal a obra de BD e pintura do italiano Guido Buzzelli, exposto no Museu da Cidade.
Quanto ao Salão do Porto, que completou 20 anos de vida em 2005, sem meios financeiros para voltar ao Mercado Ferreira Borges, ficou-se pelo cyber-espaço, através de uma exposição virtual (ainda visitável em www.sibdp.com) que nos fez ter saudades do Festival nacional que melhor soube conciliar a BD alternativa com as propostas mais dirigidas ao grande público e que deu a descobrir aos visitantes alguns dos maiores nomes da BD mundial, antes destes serem famosos (Miguelanxo Prado e Joe Sacco são só dois de muitos exemplos possíveis).
Quanto aos Festivais de menores dimensões (e ambições) tirando as Jornadas da Sobreda, que prosseguem o seu caminho, tudo aconteceu no Alentejo, onde para além do Moura BD, surgiu o Festival de BD de Almodôvar e o Salão de Banda Desenhada de Beja. Este último foi mesmo a grande surpresa do ano, pela qualidade das exposições e pelo dinamismo que a recém-criada Bedeteca de Beja e o seu principal responsável, Paulo Monteiro, revelam.
Projecto com pernas para andar e vontade de crescer, o Salão de Beja foi a prova de que mesmo em tempos de crise há esperanças de renovação. Isto para além de ter revelado um dos mais fulgurantes talentos gráficos da BD nacional, saído do Atelier Toupeira, organizado pela Bedeteca de Beja: Susa Monteiro. Fixem este nome. Ela ainda vai dar muito que falar!

 
     
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