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texto de Sara Figueiredo Costa
A encerrar o texto dedicado à investigação no dossier da Bedeteca de Lisboa do ano passado, ficou a pergunta, perante a escassa produção: 'Para o ano haverá mais?' Claro que a pergunta era retórica, mas ainda assim é impossível disfarçar alguma apreensão perante os poucos itens possíveis de integrar neste espaço, mesmo dando de barato que se assume 'investigação' no sentido o mais lato possível.
Pelo que se constata nos arquivos de teses, não houve notícia de dissertações de mestrado ou doutoramento relativas à banda desenhada.
O Festival Internacional de BD da Amadora editou, sob a minha coordenação (e uma vez mais, lamento a auto-referência, mas num meio tão exíguo não seria de esperar outra coisa), o livro FIBDA XX Anos, onde procurou aliar-se a comemoração da efeméride dos vinte anos do FIBDA a uma reflexão e a um balanço sobre as últimas duas décadas no que à produção, edição, divulgação, crítica e leitura de banda desenhada em Portugal diz respeito.
O Festival Internacional de BD de Beja reafirmou a sua posição no panorama nacional e acompanhou a sua quinta edição com mais um número do Splaft!, contando com colaborações várias no que aos textos diz respeito, sempre em harmonia com os trabalhos expostos nos vários núcleos do festival.
Do pólo de Guimarães da Escola Superior Artística do Porto chegou um número duplo da revista Margens & Confluências dedicado à banda desenhada e à ilustração, com artigos vários, entre pesquisa, reflexão, entrevistas e algumas colaborações de artistas como Miguel Carneiro, Marco Mendes ou Filipe Abranches.
Nesta visão alargada do que pode ser a investigação, importa referir o trabalho filológico (se tal termo pode aplicar-se à banda desenhada) de Manuel Caldas, que este ano editou uma antologia de Krazy Kat (Krazy+Ignatz+Pup, edição Libri Impressi), bem como Tarzan dos Macacos, de Harold R. Foster, a partir de Edgar Rice Burroughs (igualmente em edição Libri Impresi).
No capítulo da investigação, e por mais que se abra o leque das interpretações possíveis do termo, pouco mais haverá a registar. Movimentos e tendências com potencial para se afirmarem no futuro parecem passar por outros tópicos deste dossier, pelo que o melhor é passar directamente à sua leitura, esperando que 2010 traga as novidades que o último ano não pode trazer.
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