26.7.2010
A história de um cavalo que fazia contas
Jornal de Notícias
25.7.2010
Livraria de bd de autor no “Bairro dos Livros"
Público
24.7.2010
O regresso de Bouncer
Diários As Beiras
19.7.2010
1927-2010 – Víctor de la Fuente – Sempre um passo à frente do seu tempo
Público

 

 

Jornal
Título
Jornalista
Texto
Assunto
 


1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010

2010
Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Maio, Junho, Julho

 



29.07.2010
Hemeroteca Digital



28.07.2010
Vandal Jackpot


 
 
 
 

 
 


Diário de Notícias, 15 de Março de 2004

O livro mais amado

João Miguel Tavares

Projecto ambicioso da autoria do argumentista francês Frank Giroud, O Decálogo impôs-se no mercado franco-belga como uma das mais bem sucedidas séries de BD dos últimos tempos, e a sua publicação entre nós, assumida pela Asa há menos de dois anos, prossegue em excelente ritmo. Recentemente chegaram às livrarias o quinto e o sexto volumes da série, respectivamente intitulados A Vingança e A Troca.
A série, que como o próprio nome indica é constituída por dez tomos, tem no centro da acção um livro misterioso, Nahik, desejado por bibliófilos de todo o mundo e de todas as eras, já que se diz encerrar em si um decálogo islâmico escrito pela mão do próprio profeta. É este livro que serve como fio de condutor da série de Giroud, ainda que ele verdadeiramente nunca assuma o protagonismo - o livro que todos procuram é, sobretudo, o pano de fundo onde se desenrolam os episódios particulares, escritos para poderem ser lidos de forma independente mas estabelecendo ligações entre si.
Aliás, são mais do que meras «ligações»: a mecânica de O Decálogo consiste numa narrativa contada de frente para trás, partindo do mundo contemporâneo em direcção à fonte do Nahik. O quinto tomo passa-se nas décadas de 10 e 20 do século passado, enquanto o sexto decorre entre os finais do século XIX e os primeiros anos do século XX. Claro está que essa travessia temporal é uma excelente desculpa para abordar alguns momentos historicamente importantes - ou não fosse História a formação original de Giroud - como é o caso, só para dar um exemplo retirado de A Vingança, do massacre dos arménios.
Não é, realmente, um processo novo para o argumentista francês, como se pode constatar na série Luís Má-Sorte, desenhada pelo falecido Jean-Paul Dethorey e que a Meribérica tem vindo a publicar em Portugal, onde se percorrem vários momentos marcantes da primeira metade do século XX. A diferença essencial de O Decálogo em relação a Luís Má-Sorte está na complexidade do projecto e na ausência de um herói - a empatia com o leitor tem de ser conseguida volume a volume.
Giroud, como indicam os números de vendas em França, conseguiu essa empatia, mesmo que nenhum dos álbuns publicados até agora possa ser considerado uma obra-prima da BD. E isto por duas razões. Em primeiro lugar, porque a ideia geral da série é bastante melhor do que a sua concretização em cada episódio (o que significa que é importante lê-la na totalidade para apreciar as suas qualidades). Em segundo lugar, porque a aposta num desenhador diferente para cada um dos dez livros poderia ser óptima se os desenhadores convidados fossem muito bons - o que não acontece. Com as honrosas excepções de Giulio De Vita (segundo volume) e de Tomaz Lavric (quarto volume), eles são pouco mais do que medianos, o que fragiliza a série (no caso em apreço, Bruno Rocco ou o experiente Alain Mounier limitam-se a cumprir os mínimos). Tivesse O Decálogo caído na mão de artistas com um verdadeiro talento gráfico, e o que é apenas bom saltaria para uma outra dimensão.

A FICHA
Decálogo VI
Autor: Frank Giroud e Alain Mounier
Editora: Asa
Páginas: 64
Preço: € 15,50
Classificação: ***

A FICHA
Decálogo V
Autor: Frank Giroud e Bruno Rocco
Editora: Asa
Páginas: 56
Preço: € 15,50
Classificação: ***

Copyright: © 2004 Diário de Notícias; João Miguel Tavares

     
  © 2002 Bedeteca de Lisboa