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 Diário As Beiras, 16 de Abril de 2005
BD no Alentejo
João Miguel Lameiras
Decididamente, no que à Banda Desenhada diz respeito, o Alentejo está a mexer! Depois de, em meados de Março, a Biblioteca Municipal de Almodôvar ter organizado o primeiro Festival de Banda Desenhada de Almodôvar, por onde passaram José Carlos Fernandes, Miguel Rocha e José Ruy, chegou agora a vez de Beja inaugurar a sua Bedeteca e receber a primeira edição de um Festival de BD que, a avaliar por esta primeira edição, ainda vai dar muito que falar!
Inaugurado no último sábado, 9 de Abril, o Festival Internacional de BD de Beja, foi uma agradável surpresa, quer pela simpatia e hospitalidade da organização, quer pela quantidade e qualidade das exposições e, sobretudo, pela forma como essas mesmas exposições estavam montadas e como se distribuíam pelo belo edifício da Casa da Cultura de Beja, que acolhe também a Bedeteca. E falando das exposições, todas produzidas pelo próprio Festival, o destaque vai para a cenografia sóbria e eficaz, que permitia apreciar devidamente os originais, o que nem sempre acontece noutros Festivais com outros meios (veja-se a exposição principal do Festival da Amadora de há dois anos…). E havia originais para todos os gostos e para diferentes públicos, estando o público infantil também contemplado com as mostras dedicadas a José Abrantes, Pedro Leitão e o conimbricense Ricardo Ferrand.
Marcado por um eixo ibérico, apenas quebrado pelas reproduções dos argentinos Muñoz e Sampayo (a única exposição que não tinha originais) e por um bretão que já é quase mais português que francês (Alain Corbel), o Festival de Beja justificou a designação de internacional com as presenças dos espanhóis Fritz e David Rubin. Alimentando essa ligação (natural) a Espanha, estava também a presença de Henrique Torreiro, o director das Xornadas de BD de Ourense, na Galiza, e o facto dos três representantes da moderna BD portuguesa, José Carlos Fernandes, Diniz Conefrey e Miguel Rocha, terem todos obra editada em Espanha pela Devir, editora que ajudou à dimensão internacional do evento ao lançar em Beja o livro “Cloudburst”, obra que assinala a estreia do desenhador português Eliseu Gouveia no mercado americano.
O aparecimento de uma Bedeteca e de um Festival de BD em Beja, surge como a continuação natural do trabalho desenvolvido por Paulo Monteiro, o director do Festival, em torno do Atelier de Banda Desenhada – Toupeira, uma iniciativa de criação de jovens autores locais, nascida em 1996. E o trabalho dos autores do Toupeira pode (apropriadamente) ser apreciado na cave da Casa da Cultura e no nº 1 da revista “Venham + 5”, editada pela Bedeteca de Beja.
Se o amadorismo (ainda) é a nota dominante dos autores do “Toupeira”, alguns dão nas vistas em termos gráficos, como é o caso de Catarina Julião, Zé Francisco e, principalmente Susa Monteiro, autora do excelente cartaz, cujo trabalho se destaca claramente dos demais.
Alguns dos autores do Atelier Toupeira, estavam também presentes na mostra dedicada à Tertúlia BDZine, com histórias originais que fizeram para o fanzine distribuído na Tertúlia de BD que Geraldes Lino organiza mensalmente num restaurante de Lisboa, permitindo assim a um público mais alargado o contacto com trabalhos menos conhecidos de vários autores, com destaque para “Molto Porthogese” uma notável paródia de Ricardo Ferrand ao Corto Maltese de Hugo Pratt, ou para o “Homem-Aranha” de Pedro Massano, um veterano da BD histórica.
Em suma, o Festival de Beja tem todas as condições para se tornar um acontecimento incontornável no panorama da BD nacional. Assim as editoras ajudem e o publico acorra à chamada.
(1º Festival Internacional de BD de Beja, de 9 a 28 Abril, 2005, Casa da Cultura de Beja.
Website: www.festivalbdbeja.com.sapo.pt )
Copyright: © 2005 Diário As Beiras; João Miguel Lameiras
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