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 Jornal de Notícias, 11 de Junho de 2005
Integral do Príncipe Valente editado em português : é a edição definitiva a preto e branco, assegura o editor Manuel Caldas
Pedro Cleto
Chama-se Manuel Caldas, é natural da Póvoa de Varzim, tem 45 anos e é conhecido no meio da banda desenhada como editor do fanzine “Nemo”, que fará 20 anos em 2006, que se destacou pela qualidade dos textos. É conhecida também a sua paixão pelo “Príncipe Valente”, criação de Hal Foster, que, como tantas gerações de portugueses descobriu no “suplemento dominical de O Primeiro de Janeiro” que guardava “desde sempre atraído pelas histórias aos quadradinhos, principalmente pelas pranchas de Walt Disney”. Aos 11 anos “o meu pai chamou-me a atenção para o “Príncipe Valente”, que “tinha uns desenhos muito bens feitos”. Foi fulminante: constatei que era verdade e com o tempo fui descobrindo que a história era também magistral e que havia na série uma unidade sublime que não me deixaria sossegado enquanto não a conhecesse toda. E quanto mais descobria mais pasmado ficava!”. Por isso, dedicou ao autor e à obra, um livro, “Foster e Val”, auto-editado, e concretiza agora um dos seus grandes sonhos: a edição integral do “Príncipe Valente”, com a chancela “Livros de Papel”, que “abarcará todas as pranchas escritas e desenhadas por Foster em 17 volumes de formato grande (27 x 35 cm) e as pranchas escritas por ele e desenhadas por John Cullen Murphy em cinco volumes menores. Cada volume, a preto e branco, incluirá dois anos, mais notas finais”, estando previstos “pelo menos três por ano. O primeiro” – já nas livrarias – “abarca as pranchas de 1943-44. Não começamos pelo princípio porque poderiam os eventuais compradores da série não pegar na edição receosos de que esta viesse a ser mais uma que não iria além das duas centenas de pranchas iniciais, como em Portugal já aconteceu três vezes” - nos anos 80. “O segundo volume abarcará os anos seguintes, mas muito pouco depois, já convencidos os leitores, aparecerá o início da série, como nunca ninguém a viu”.
Sonho de muitos anos, “esta edição surge da necessidade de se publicar o “Príncipe Valente” com a qualidade que lhe faça a devida justiça. Andei anos a reunir a totalidade da série e depois anos à procura das melhores reproduções das pranchas. As desilusões sucederam-se: na sua imensa maioria as pranchas apareciam apenas sofrivelmente reproduzidas!”. Por isso, não hesita em afirmar que “a preto e branco, esta será, sem dúvida nenhuma, a edição definitiva porque a reprodução das pranchas é perfeita, cristalina, inultrapassável”. Para o conseguir, foram usadas as “provas originais que o King Features finalmente voltou a tirar dos seus arquivos, fechados há anos”. Para as pranchas de que não existiam provas, “recorreu-se às páginas de jornais, das quais se eliminou cuidadosissimamente a cor. Sem qualquer exagero, talvez nunca uma única prancha da série se reproduziu até hoje com a qualidade com que será possível vê-la nesta edição”.
(caixa à parte)
A obra de uma vida
O envelhecimento do herói (começa como escudeiro e, sucessivamente, chega a cavaleiro da mítica corte do Rei Artur, casa e tem filhos que, vão tomando o protagonismo da série) é um dos factos marcantes de “Prince Valiant in the Days of King Arthur”, cuja publicação se iniciou a 13 de Fevereiro de 1937. Mas o “Príncipe Valente”, segundo Manuel Caldas “a obra de uma vida, praticamente toda a actividade criadora do seu autor, desde que a iniciou até à altura em que morreu” (em 1982), é mais do que isso, é uma exuberante saga medieval, que combina aventura, história, lenda e magia nas proporções adequadas, tendo por base histórias muito bem escritas que fazem desta obra, segundo o crítico J. P. Boléo “uma das mais maravilhosas e monumentais BD’s de sempre, em muitos aspectos inovadora e precursora, globalmente única, cujo interesse ‘actual’ não resulta de qualquer nostalgia, mas da riqueza intrínseca da obra e do grande interesse e prazer que a sua leitura continua a proporcionar, porque Foster, além de um grande artista, era um admirável contador de histórias”.
Copyright: © 2005 Jornal de Notícias; Pedro Cleto
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